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Economia

Sapopema depende da renda do comércio, de pequenos serviços e dos salários de aposentados para sobreviver

Levantamento mostra que cidades com fábricas geram mais empregos registrados, refletem sobre todos os outros setores e resultam em maior PIB per capita

22/06/2019 15h38
Por: Portal Curiúva
Fonte: Folha de Londrina
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Reprodução
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Onde há indústria, há geração de riqueza. Não é à toa que o estado de São Paulo, o mais industrializado do País, concentra mais de 30% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. O setor paga salários melhores e alavanca a criação de empregos nas demais atividades econômicas. 

 

Da mesma forma, uma indústria sozinha faz toda a diferença para os menores municípios brasileiros. Com base no PIB de 2016, último divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em âmbito municipal e também em dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do mesmo ano, a FOLHA comparou o desempenho econômico de dois grupos de municípios do Paraná, um na faixa entre 6.000 e 6.999 habitantes e outro na de 11.000 a 11.999. Das 399 cidades paranaenses, 31 se encontram na primeira situação e 18, na segunda. 

 

Com raras exceções, onde a participação da indústria é maior, o PIB também é maior e há mais empregos. Para melhor comparar as participações dos setores na economia, o IBGE recomenda o VAB (Valor Adicionado Bruto), que nada mais é que o PIB menos os impostos.

 

Na faixa de 11 mil habitantes, Céu Azul (microrregião de Foz do Iguaçu) tem o maior PIB, R$ 575,7 milhões. Na cidade, o VAB da indústria é de 24%. Já o menor PIB, de R$ 175,2 milhões, é o de Inácio Martins (microrregião de Guarapuava), onde o setor tem apenas 8% de participação. O PIB per capita do primeiro é de R$ 49,1 mil, bem acima das médias do Brasil e do Paraná, de R$ 31.587 e R$ 36.728, respectivamente. Já o do segundo, é de apenas R$ 13,8 mil.

 

Em Céu Azul, havia 2.548 empregos, sendo 997 na indústria. A cidade é forte nos segmentos de alimentos e bebidas, de metalmecânica e têxtil. Já em Inácio Martins, o total de postos de trabalho era de menos da metade, ou de 1.185, dos quais 339 na indústria.

 

No grupo das cidades na faixa de 6 mil habitantes, o maior PIB é o de Sabáudia (R$ 351,8 milhões). O município integra o polo moveleiro de Arapongas e tem 26% de participação fabril na economia. O PIB per capita é de R$ 52.950. Na outra ponta, está Laranjal com o menor PIB (81,5 milhões). Na cidade da região sul, a participação do setor é de apenas 3% e o PIB per capita, de R$ 13.044.

 

A diferença do número de empregos entre os dois municípios é muito expressiva. Sabáudia tem 3.068, dos quais 1.223 na indústria. Em Laranjal, são somente 469 empregos e 21 na indústria.

 

PROPULSÃO

Segundo a Fiep (Federação da Indústria do Estado do Paraná), uma das estratégias da entidade é fomentar a industrialização dos pequenos municípios por meio de “recortes de cadeias produtivas propulsivas”, que englobam regiões inteiras e, portanto, cidades de todos os portes. O economista Marcelo Alves, da Fiep, diz que, por diversos anos, a aposta foi nos APLs (Arranjos Produtivos Locais), que são 21 no Estado. 

 

O planejamento, contudo, passou a levar em conta outros programas, como no caso do “Oeste em Desenvolvimento”, que visa dinamizar 54 municípios da região. Há ainda o “Plano de Desenvolvimento Regional Integrado da Região Sudoeste” e o “Pró-Metrópole”, que abrange 29 municípios da RMC (Região Metropolitana de Curitiba).  “A ideia [geral dos trabalhos] é de um desenvolvimento endógeno por meio de recorte de cadeias produtivas propulsivas. Isso significa que vemos os potenciais instalados nas cidades, analisamos todos os elos da cadeia produtiva e identificamos cada um deles, para atrair novas indústrias para a região.”

 

O propósito é atrair renda para essas regiões e pequenos municípios através da indústria. “Assim há pagamento de salários, de impostos e maior dinamismo nas atividades multiplicativas, como o comércio e o serviço em torno delas”, explica Alves, sobre uma rota de desenvolvimento da qual muitas cidades ainda aguardam para fazer parte. 

 

Sem empresas-âncora, comerciantes dependem dos aposentados

A falta de grandes empresas que funcionem como âncoras para o desenvolvimento econômico faz com que cidades como Sapopema e São Jerônimo da Serra, no Norte Pioneiro, dependam da renda do comércio, de pequenos serviços e dos salários de aposentados para sobreviver. "Os empregos que temos são em cooperativas agrícolas ou em empresas que recolhem grãos, que dá no máximo 20", diz o prefeito de São Jerônimo, João Ricardo de Mello.

 

Na região, Mello conta que há algumas madeireiras, que fornecem lenha para caldeiras de indústrias de outras cidades, mas sem gerar carteiras assinadas. "Talvez nosso problema seja logístico, de distância para grandes centros. Já conversei para tentar a vinda de uma serralheria e de uma sementeira, tentei trazer um frigorífico de frango, mas acho que o pessoal não achou viável", explica o prefeito. São 14 empregos industriais em 960 registrados na cidade, segundo levantamento da reportagem.

 

Proprietário de uma farmácia em São Jerônimo, Juan Guillen Pons resume a situação. "Moro há 50 anos aqui e a cidade vive de aposentadorias. Não temos indústria, empregos, nada. Os jovens que estudam vão embora porque não têm o que fazer na cidade."

 

O sentimento é o mesmo para o aposentado Valdevir Cordeiro, de Sapopema. "Siqueira Campos, que não é grande, já é melhor do que aqui porque tem empregos para todos, em abate de frangos, em empresa de corte e costura. Aqui, a maioria é aposentado, então vamos sobrevivendo", diz o morador, ao citar município de 20 mil habitantes que está 140 km distante.

 

Cordeiro faz fretes de moto para complementar a renda, porque diz que um problema cardíaco o impede de esforços físicos. O filho do aposentado trabalha em uma das seis indústrias cerâmicas que, por mais que sejam responsáveis pela maioria dos 267 registros em carteira do setor do município, não garantem desdobramentos em outras atividades. "É um serviço pesado, mas agradeço porque ele teve cabeça e está lá há sete anos, ou teria de ir embora", diz o aposentado. 

 

Chefe de gabinete na Prefeitura de Sapopema, Cláudio Edison da Costa afirma que uma fábrica de pães também surgiu a partir de uma padaria local, o que tem contribuído para gerar renda. Porém, ele diz que é pouco para garantir uma arrecadação que permita fazer com que a cidade cresça. "Nossa população é de mais ou menos 7 mil pessoas e o comércio está bem parado. As lojas diminuíram o número de funcionários", conta. Ele também acredita que um frigorífico poderia ser a solução para região. "Uma indústria ou uma grande empresa poderia ajudar o município ou dar emprego até para umas quatro cidades", sugere Costa.

 

A costureira e balconista de loja de roupas Maria Laide Melo Carneiro, também de Sapopema, diz que as vendas mal garantem os custos do negócio. "Foi-se o tempo em que guardávamos alguma coisa no fim do mês. O comércio está parado. Se ao menos tivéssemos uma empresa grande aqui..." 

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